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Regra dos 5 mm: quando a papila fecha, e quando a coroa precisa ajudar

O triângulo negro não é falta de gengiva. Quase sempre é distância: entre o ponto de contato e o osso que sustenta a papila.

Escrito pela equipe técnica da Prótese Dentária Brasil, laboratório de prótese digital em Americana, SP. Publicado em 27 de outubro de 2026.

A resposta curta

Até 5 mm entre o ponto de contato e a crista óssea, a papila preenche a ameia em quase 100% dos casos.

Com 6 mm, em 56%. Com 7 mm ou mais, em 27% ou menos. Cada milímetro conta.

Entre dois implantes a conta é mais dura: a altura média de tecido sobre o osso foi de 3,4 mm.

O estudo que virou regra

Em 1992, Dennis Tarnow e colegas, da Universidade de Nova York, examinaram 288 espaços interdentais em 30 pacientes. Mediram, com sonda, a distância entre a base do ponto de contato e a crista óssea, e anotaram se a papila preenchia ou não o espaço.

Distância do contato à crista ósseaPapila presente
Até 5 mmquase 100%
6 mm56%
7 mm ou mais27% ou menos

O salto entre 5 e 6 mm é o que fez o trabalho virar regra clínica. Um milímetro a mais e a chance de ter papila cai quase pela metade.

Corte de dois dentes com a papila preenchendo o espaço entre eles e a medida do ponto de contato até a crista óssea
Até 5 mm entre o ponto de contato e a crista óssea, a papila fecha em quase 100% dos casos. A linha tracejada marca essa medida: ela vai até o osso, não até a gengiva.

Entre implantes, a conta é outra

Implante não tem ligamento periodontal nem as fibras que sustentam a papila entre dois dentes. O mesmo grupo voltou ao tema duas vezes.

Em 2000, mediram a perda óssea entre implantes vizinhos. Com mais de 3 mm entre eles, a crista óssea perdeu em média 0,45 mm. Com 3 mm ou menos, perdeu 1,04 mm. Implantes muito próximos levam o osso embora, e com ele a referência da papila.

Em 2003, mediram a altura de tecido mole sobre o osso entre dois implantes: média de 3,4 mm, com variação de 1 a 7 mm. Na maioria dos casos, só 2 a 4 mm de tecido se formam ali. Os autores recomendam cautela ao colocar dois implantes vizinhos na região estética.

O que a prótese pode fazer

A cirurgia decide onde está o osso. A prótese decide onde está o ponto de contato. E é aí que o laboratório entra.

Se a distância passou de 5 mm, o contato pode descer. Levar o ponto de contato em direção à gengiva encurta a distância até o osso e fecha o espaço que a papila não vai preencher. O preço é um dente com proporção um pouco mais quadrada na região do contato, o que costuma ser bem menos visível do que um triângulo escuro.

Em perda maior, especialmente sobre implantes, a gengiva cerâmica ou em resina devolve o contorno que o tecido não vai recuperar.

Da nossa bancada

Quando o caso chega sem radiografia, o técnico desenha o contato pela anatomia do dente. Quando chega com a distância medida, ele desenha pelo osso.

É a diferença entre uma coroa que fica bonita no modelo e uma coroa que fecha o espaço na boca. A radiografia periapical da região já basta para a gente planejar onde o contato precisa estar.

Prótese sobre implante em zircônia com gengiva cerâmica
Quando o tecido não vai voltar, a gengiva cerâmica devolve o contorno.

O que pedimos, na prática

Em região estética com espaço aberto, meça a distância do ponto de contato à crista óssea, ou mande a radiografia periapical.

Escreva no pedido se o triângulo negro já existe ou se é uma preocupação para depois da cirurgia.

Em implantes vizinhos, avise. Saber que são dois implantes lado a lado muda o desenho do contato desde o início.

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Mandar um caso para nós

Caso com espaço entre os dentes ou implantes vizinhos na região estética? Mande a radiografia periapical e uma foto aproximada junto com o pedido. Com a distância em mãos, o técnico já desenha o contato no lugar certo.

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Fontes

  1. Tarnow DP, Magner AW, Fletcher P. The effect of the distance from the contact point to the crest of bone on the presence or absence of the interproximal dental papilla. Journal of Periodontology. 1992;63(12):995-996. PubMed
  2. Tarnow DP, Cho SC, Wallace SS. The effect of inter-implant distance on the height of inter-implant bone crest. Journal of Periodontology. 2000;71(4):546-549. PubMed
  3. Tarnow D, Elian N, Fletcher P, et al. Vertical distance from the crest of bone to the height of the interproximal papilla between adjacent implants. Journal of Periodontology. 2003;74(12):1785-1788. PubMed
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