Preparo de faceta: por que o desgaste precisa ficar no esmalte
Perto da gengiva, o esmalte vestibular tem pouco mais que a espessura de uma folha de papel. Desgastar sem referência é atravessar essa camada sem perceber.
Escrito pela equipe técnica da Prótese Dentária Brasil, laboratório de prótese digital em Americana, SP. Publicado em 3 de novembro de 2026.
A resposta curta
Com o preparo todo em esmalte, a sobrevida das facetas foi de 99%, num acompanhamento de até 12 anos.
O que mais pesou no resultado foi onde o preparo terminou. Esmalte é o substrato em que a faceta cola melhor.
Desgastar através do mockup manteve mais de 80% dos preparos no esmalte. A referência é o volume final, não o dente atual.
O número que decide o preparo
Galip Gurel e colegas acompanharam 580 facetas em 66 pacientes por até 12 anos. Falharam 42, ou 7,2%, e a sobrevida acumulada foi de 86%. O que separou as que falharam das que não falharam não foi diastema, escurecimento, restauração antiga nem desgaste do dente. Foi onde o preparo terminou.
| Onde o preparo ficou | Sobrevida |
|---|---|
| Preparo todo em esmalte | 99% |
| Esmalte só nas margens | 94% |
O mesmo estudo mostrou que o aumento de coroa no sentido incisal elevou o risco de falha em 2,3 vezes. A falha mais comum foi fratura.
Por que é tão fácil sair do esmalte
Medidas em dentes extraídos mostram que o esmalte vestibular não tem a mesma espessura em toda a face. Ele é mais fino justamente onde fica a margem da faceta.
Um desgaste de 0,5 mm, que parece conservador, é praticamente todo o esmalte do terço cervical. E se o dente está vestibularizado, o desgaste feito sobre ele, e não sobre o volume final, remove ainda mais justamente onde há menos para remover.
O mockup muda a referência
No trabalho de 2012, o mesmo grupo descreveu a técnica de preparo através do mockup: primeiro se adiciona o volume final em resina sobre o dente, aprovado pelo paciente, e só então se desgasta através dele. O desgaste passa a ser medido a partir de onde a faceta vai estar, não de onde o dente está.
Com isso, mais de 80% dos preparos ficaram confinados ao esmalte. Nos preparos limitados ao esmalte, a falha por descolamento e infiltração caiu a zero.
As seis decisões antes da broca
A sequência apresentada no IN26, em São Paulo, organiza o raciocínio em seis etapas, todas antes de executar o preparo:
1. Desenho do sorriso. 2. Mockup, aprovado na boca. 3. Tipo de preparo, decidido pelo volume final. 4. Cor final desejada. 5. Cor do remanescente, que define quanto a cerâmica precisa mascarar. 6. Material.
A ordem importa. Um remanescente escurecido com uma cor final muito clara pede mais espessura de cerâmica, e mais espessura pede mais desgaste. Se essa conta é feita depois do preparo, ela já não tem como sair do esmalte.
A guia de desgaste é uma muralha feita a partir do enceramento. Na boca, ela mostra quanto espaço existe entre o dente preparado e o volume final, em cada ponto.
Ela tira o preparo do achômetro. Em vez de desgastar uma profundidade fixa em todo o dente, o desgaste acontece só onde o volume final exige.
Fazemos o enceramento e a guia de desgaste junto com o caso. Peça no app.
O que pedimos, na prática
Prepare pelo volume final, com mockup ou guia de desgaste, nunca pelo dente atual.
Cuidado redobrado no terço cervical, onde o esmalte é mais fino.
Mande a cor do remanescente, com foto e escala no mesmo plano. Ela define a espessura de que a cerâmica precisa.
Se o preparo expôs dentina, conte no pedido. Isso pesa na escolha do material e do protocolo de cimentação.
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Mandar um caso para nós
Vai fazer facetas? Peça o enceramento e a guia de desgaste junto com o caso. Conte no campo de observações a cor final que o paciente quer e mande foto do remanescente: são duas das seis decisões que vêm antes da broca.
Fazer meu pedido pelo appFontes
- Gurel G, Sesma N, Calamita MA, Coachman C, Morimoto S. Influence of enamel preservation on failure rates of porcelain laminate veneers. The International Journal of Periodontics & Restorative Dentistry. 2013;33(1):31-39. PubMed
- Gurel G, Morimoto S, Calamita MA, Coachman C, Sesma N. Clinical performance of porcelain laminate veneers: outcomes of the aesthetic pre-evaluative temporary (APT) technique. The International Journal of Periodontics & Restorative Dentistry. 2012;32(6):625-635. PubMed
- Ferrari M, Patroni S, Balleri P. Measurement of enamel thickness in relation to reduction for etched laminate veneers. The International Journal of Periodontics & Restorative Dentistry. 1992;12(5):407-413. PubMed