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Encaixou no modelo, errou na boca: o que o scanbody e o escaneamento não contam

Quando a coroa sobre implante assenta perfeita no modelo impresso e fica fora de lugar na boca, o problema quase nunca está no desenho. Está antes dele, no arquivo de onde saíram a coroa e o modelo.

Escrito pela equipe técnica da Prótese Dentária Brasil, laboratório de prótese digital em Americana, SP. Publicado em 20 de outubro de 2026.

A resposta curta

O modelo impresso não testa nada contra a boca. Ele sai do mesmo arquivo da coroa, então repete o erro do escaneamento em vez de denunciar.

Scanbody apertado à mão pode ficar mais de 0,1 mm alto, em teste fora da boca com scanbody de PEEK. Com torquímetro a 5 Ncm, o problema praticamente some.

Na região anterior, 1 grau de erro no implante virtual vira cerca de 0,25 mm na borda incisal. Entre dois centrais, isso aparece no sorriso.

Por que o modelo não denuncia o erro

O fluxo digital tem uma armadilha que o gesso não tinha. O escaneamento vira um arquivo, e do mesmo arquivo saem a coroa e o modelo impresso. Se o implante foi registrado no lugar errado, os dois herdam o mesmo lugar errado. A coroa encaixa perfeita no modelo porque os dois concordam entre si, não porque concordam com a boca.

O modelo ainda soma o erro dele. Um estudo da Universidade de Erlangen, publicado em 2026, mediu a posição dos análogos em modelos impressos: os desvios médios ficaram entre 131 e 382 µm, dependendo da orientação de impressão.

A boca é a única referência verdadeira. Por isso o controle precisa acontecer antes do desenho, no arquivo, e não depois da peça pronta, no modelo.

Duas causas, duas assinaturas

Quando a coroa erra na boca, quase sempre é uma destas duas coisas, ou as duas juntas. Elas deixam marcas diferentes, e saber ler a marca ajuda a achar a causa.

Distorção do escaneamento. O scanner não fotografa o arco de uma vez: ele costura centenas de imagens pequenas, e cada costura carrega um erro mínimo que se acumula ao longo do trajeto. Onde falta referência firme, como mucosa lisa entre dois scanbodies, a malha pode girar ou deslizar. A marca típica é um lado que desvia mais que o outro, crescendo com a distância.

Scanbody mal assentado. Índice que não encaixou, tecido preso embaixo, torque diferente de um escaneamento para o outro. A marca típica é um degrau vertical: o scanbody fica mais alto ou mais baixo, e o implante virtual vai junto.

Ilustração de dois implantes com scanbody: um assentado por completo e outro levantado, com a fresta na base destacada
À esquerda, o scanbody assentado. À direita, levantado: a fresta entre a base e o implante não aparece no modelo, mas sobe o implante virtual inteiro.

O que os estudos medem no scanbody

Situação, em teste fora da bocaEfeito medido
Scanbody de PEEK apertado à mãoacima de 100 µm na vertical
Componentes alternando os lados do índice0,29 a 0,35 mm na vertical
Todos no mesmo lado do índicepoucos µm
Só tirar e recolocar o mesmo scanbody10 a 37 µm

Três estudos diferentes, um recado só. O primeiro, coreano, testou o aperto: no deslocamento horizontal, todos os grupos ficaram abaixo de 10 µm, mas na vertical o aperto manual em scanbody de PEEK passou de 100 µm. Os autores recomendam torquímetro a 5 Ncm. O segundo, alemão, mostrou que encostar cada componente num lado diferente da folga do índice muda a altura de uma prótese de três elementos em até 0,35 mm, e que encostar todos do mesmo lado resolve. O terceiro mostra o ruído de fundo: mesmo feito com cuidado, remontar um componente já move 10 a 37 µm.

Por que na região anterior o erro aparece tanto

Erro de ângulo cresce com a distância. Num incisivo sobre implante, a borda incisal fica a cerca de 14 mm da plataforma. Nessa altura, a conta é geométrica:

desvio na borda 14 mm da plataforma até a borda incisal inclinação do implante virtual Desenho exagerado para ficar visível.
1 grau no implante virtual desloca a borda incisal em cerca de 0,25 mm; 2 graus, em cerca de 0,5 mm. Conta geométrica para 14 mm de altura.

Erros de ângulo desse tamanho já foram medidos. Num teste com implantes de 2 a 6 mm abaixo da gengiva, o escaneamento intraoral chegou a 1,77 grau de desvio. E num estudo com scanbody só um terço exposto, falhas de captura no topo ou na base do scanbody pioraram o ângulo, enquanto o alinhamento por três pontos reduziu o erro.

Numa coroa de molar, 0,25 mm se resolve no ajuste. Entre dois centrais, é um degrau que o paciente vê.

Da nossa bancada: o caso que motivou este texto

Dois implantes na região de 11 e 21. No desenho, as coroas estavam simétricas e alinhadas. No modelo impresso, assentaram perfeitas. Na boca, uma ficou com a borda incisal em outra altura e mais para vestibular que a outra.

Quando chegou um novo escaneamento, sobrepusemos as duas malhas. O lado do 22 casava; o lado do 12, não. E os scanbodies apareciam em alturas diferentes entre um escaneamento e o outro.

As duas assinaturas juntas: um lado desviando, típico de distorção, e um degrau vertical, típico de assentamento ou torque diferente. O modelo não tinha como mostrar nada disso, porque era cópia do primeiro arquivo.

Como a gente confere o arquivo

Aqui, cada scanbody é casado no exocad com a biblioteca de geometria da marca do implante. É a biblioteca que diz ao software onde está a plataforma e para onde aponta o eixo.

Esse encaixe merece olho humano. Um estudo da Universidade de Erlangen testou exatamente isso no exocad: a sobreposição feita manualmente foi mais precisa que a automática, para os dois tipos de scanbody avaliados. Nota boa do software não prova que o eixo está certo.

Quando chega um segundo escaneamento do mesmo caso, comparamos as duas malhas. Se um lado casa e o outro não, há distorção entre eles. Se tudo casa e só um scanbody muda de altura, o problema é local, de assentamento.

O que pedimos, na prática

Encaixe antes de apertar. Gire o scanbody levemente até sentir o índice cair. Depois disso ele não pode girar nem ter folga.

Aperte com torquímetro, no valor do fabricante. Quando a instrução diz só "aperto manual", a evidência favorece um torque baixo e controlado, em vez da mão.

Todos os componentes para o mesmo lado do índice. No escaneamento, no análogo e no pilar.

Plataforma abaixo da gengiva? Radiografia com posicionador, perpendicular à conexão, para confirmar que o scanbody assentou.

Capture o scanbody inteiro, topo e base, com os dentes vizinhos dos dois lados. Não corte o scanbody para livrar o antagonista e não misture marcas no mesmo caso.

Na região anterior estética, considere uma prova com coroa impressa ou provisória antes da definitiva. Em vão longo ou arco total, o index ou a prova de estrutura que descrevemos no artigo sobre index de verificação.

Nada disso é sobre culpa. O escaneamento é uma etapa técnica com limites do aparelho, do componente e da boca. Quando o arquivo chega com o scanbody bem registrado, a peça que sai daqui encaixa onde importa: na boca.

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Index antes do protocolo O index não deixa a moldagem melhor. Ele diz se ela está errada, antes de a barra existir. Moldagem ou scanner intraoral? Nos ensaios clínicos a diferença de adaptação some. O que muda é onde o erro aparece. Fio afastador para escanear Em cerca de 40% dos casos que recebemos não dá para ver o limite do preparo. E o sulco fecha sozinho em 40 segundos.

Mandar um caso para nós

Caso de implante na região estética? Conte no pedido o scanbody usado, o torque aplicado e mande a radiografia de assentamento se a plataforma estiver abaixo da gengiva. Com isso o técnico confere o arquivo antes de desenhar, não depois de entregar.

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Fontes

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  7. Meneghetti PC, Li J, Borella PS, Mendonça G, Burnett LH Jr. Influence of scanbody design and intraoral scanner on the trueness of complete arch implant digital impressions: an in vitro study. PLoS One. 2023;18(12):e0295790. PubMed
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